domingo, 1 de abril de 2012

Gigi (1958), por Pedro Melo


Na Paris de 1900, Honoré Lachaille, membro da alta sociedade parisiense, vive e desfruta a vida da maneira que lhe convém, assim como seu sobrinho Gaston Lachaille, um dos solteiros mais cobiçados da cidade. Apesar de ter uma vida agitada ser rico e famoso, Gaston está frequentemente entediado com sua vida e com aquilo que esperam dele. Um dos poucos momentos em que se sente bem é quando visita Madame Alvarez e sua neta Gigi, uma adolescente bastante desinibida e inteligente.

Dirigido por Vicente Minelli, americano considerado um dos criadores do musical moderno, que também fez comédias e melodramas, esse filme é a terceira adaptação para o cinema do romance de mesmo nome de Colette. Recebeu indicações a vários prêmios e ganhou Oscar em várias categorias entre elas Melhor Filme, Diretor, Direção de Arte, Direção de Fotografia, Trilha Sonora e etc.

É bastante clara a marca que a história de Vicente Minelli traz ao filme, inclusive o grande reconhecimento da fotografia, figurino e da direção de arte do filme se devem à experiência e ao conhecimento previamente adquirido por Minelli, que já havia trabalhado como cenógrafo e figurinista.

A Direção de Arte dialoga com o Vulgar em vários pontos do filme sem obrigatoriamente se apropriar dele como elemento estético. Os figurinos especialmente coloridos e ricos, mesmo que por vezes pouco cansativos, vão além de vestimentas de época e dialogam com a personalidade dos personagens, inclusive a mudança da Gigi adolescente para uma jovem mulher se dá mais evidentemente pela mudança do seu figurino, que dialoga até com a trilha sonora em alguns momentos, como por exemplo na canção "She Is Not Thinking of Me" ou "She's So Gay Tonight". A Cenografia, tão afetada quanto os figurinos no quesito cor e extravagância é Art Nouveau, com expressão mais significativa no design dos móveis e na arquitetura dos ambientes internos, em especial o apartamento de Honoré Lachaille.

O filme mostra a história de Gigi e conforme o tempo passa, a sua transformação de menina para mulher, desde aulas de etiqueta que toma com a sua Tia Alicia até seu casamento. Além de uma história sobre o desenvolvimento de um personagem e que obedece a clássica curva dramática, esse musical também valoriza os protagonistas como indivíduos singulares dentro do meio onde vivem. Apesar de rico e famoso, Gaston se entedia com a vida que tem, e Gigi, apesar de pobre não sucumbe ao comportamento habitual de moças da sua idade de casar-se por dinheiro, mesmo que incentivada por sua Tia para esse fim. Gigi resiste e coloca sua individualidade e seu sentimento antes de interesses financeiros sob a justificativa de não suportar viver as desgraças que a vida com Gaston a traria. Ele, por sua vez, extremamente ofendido e revoltado chega a afirmar que nunca mais tornará a procurá-la, sendo apoiado por seu Tio Honoré. Apesar disso eles decidem se casar, ela afirma que prefere ser infeliz com ele à sozinha e ele a recebe de bom grado, sendo esse um traço essencialmente romântico: a valorização do individual e seus sentimentos.

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