Mostrando postagens com marcador camilla. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador camilla. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de novembro de 2010

“A primeira noite de um homem”, de Mike Nichols, por Camilla Vanessa


O filme conta a história de Benjamin, um rapaz que tem tudo para ser bem sucedido, mas quando começa a se envolver com uma mulher casada sua vida sai dos trilhos. Um jovem com problemas, sem experiência com mulheres; um protagonista desajeitado, quebrando com a expectativa do Galã-Herói- estrela de Hollywood. Uma comédia romântica com poder de quebra e que não deixa a desejar em aspectos técnicos como a maioria de filmes do gênero.

A direção do longa é curiosa. Ela faz de nós confidentes do protagonista, de seus anseios, desejos e angústias. Na festa em que se inicia o filme, a câmera acompanha o estado de espírito do personagem, nos faz conhecer sua mente, seus problemas apenas por movimentos de câmera e uma mise- en- scène sufocante. Há enquadramentos que chamam atenção como na cena em que benjamim está no começo da escada da Sra. Robinson e precisa devolver-lhe a bolsa. A escada serve de bela moldura para a insegurança dele. Os zooms são abruptos, quebrando um pouco a narrativa, mas de certa forma colaborando com a mesma. Quando a verdade é revelada para Elaine, por exemplo, sua mãe se encontra em primeiro plano, então ocorre um zoom out e revela Dustin Hoffmann a certa distância.

O som no filme merece destaque, geralmente vindo fora de cena, para depois ser mostrado onde o mesmo se encontra. O que ocorre na transição da cena da piscina para a cabine telefônica: primeiro escutamos a conversa, depois vemos onde o personagem está. Gritos estridentes, a respiração forte e solitária de Ben antes de pular na piscina revelando mais uma vez o íntimo do personagem, sufocado. A trilha sonora composta para o filme se adéqua a todos os momentos da trama, sendo as músicas usadas em outras trilhas (The sound of silence em Watchmen, por exemplo) . A união entre a música e a narrativa é tanta que até quando falta gasolina e o carro vai desacelerando a música acompanha a diminuição do ritmo. O que traz humor à cena de forma incomum.

Montagem leva a história de forma dinâmica, numa harmonia incrível com a música. Na montagem da cena de Ben no hotel e em casa em diferentes momentos, desnorteia um pouco, mas esclarece a passagem de tempo e certa rotina na vida dela sendo estabelecida. Também certa mudança de atitude por parte dele, que deixa de lado seu futuro promissor e entra num momento de diversão com a senhora Robinson.

Um filme leve, mas que traz inovações, trama e personagens incomuns.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“Os Incompreendidos”, por Camilla Vanessa


"Os incompreendidos" narra a história de Antoine Doinel, um garoto de 14 anos que possui uma vida conturbada; professor carrasco, pais com o casamento em crise, falta de dinheiro, falta de compreensão, além de más influencias externas. Ele entra em várias enrascadas, foge, rouba etc.. Parece não conseguir paz.

O filme começa mostrando a Paris que todos conhecem, mostrando a Paris da torre Eiffel, mas o que ele tenta mostrar em seu desenrolar é a paris comum, de cidadãos comuns, que tem problemas a enfrentar.

Nessa obra que mistura ficção e documentário, Truffaut reforça a “infância de Jean Vigo” (em referência ao diretor que nos anos 30 fez o influente "Zero em Comportamento"), uma infância não mais inocente, mas cheia de problemas e responsabilidades. Hoje pode ser visto como mais um filme de infância/adolescência perturbada, mas deve-se levar em consideração seu poder de ruptura, não foi o primeiro a trazer este tipo de tema, mas a história envolvente e a forma delicada com que o tema foi tratado fazem com que se destaque e não seja esquecido facilmente. Diferente de vários filmes que tratam dessa mesma faixa etária, Truffaut deixa o personagem se fazer entender, faz com que ações atrapalhadas não sejam mais vistas como simples frutos de “Aborrescentes com nada na cabeça”, mas sim como uma espécie de fuga, de explosão sentimental. O filme não é cômico, nem melodramático, consegue um equilíbrio entre os dois. A fotografia ainda possui aspectos “conservadores”, com planos mais longos e distanciados do que era usado por outros diretores da Nouvelle Vague. Isso garante um envolvimento um pouco aberto do público, remetendo aos filmes do neo realismo italiano, os quais traziam histórias leves sem chegarem a ser um drama, e com um certo distanciamento que lembrava o documentário.

Deve-se dar destaque a cena final, de forma sutil, bela e delicada a câmera acompanha Doinel sem ser invasiva, mas mais uma vez fazendo do público, confidentes de sua vida.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Orgulho e preconceito", por Camilla Vanessa


Tive a oportunidade de ler o livro, logicamente não é igual ao filme, mas o roteiro, atuações, figurino, enfim, o filme em geral, traduzem o olhar crítico de Jane Austen sobre os costumes da época. Muito disso devido à fantástica atuação de Keira Knightley, embora o diretor não a quisesse no elenco inicialmente, ela consegue expressar crítica e o verdadeiro espírito de Elizabeth Bennet uma mulher a frente do seu tempo, inteligente o que muitas vezes a faz ser mal vista. O elenco em geral foi muito bem escolhido, os personagens são muito bem traduzidos para o audiovisual. Vale ressaltar a ótima direção de arte do filme, as locações são belíssimas, o cuidado com detalhes, para que nada fuja á época em que o filme se passa. E o figurino condiz com a situação econômica dos personagens, o que pode ser perfeitamente visto na cena em que estão Sr. Darcy, Srta. Bingley, Sr. Bingley, e Elizabeth na sala e chegam as outras senhoras Bennet, com exceção de Jane que está em outro cômodo. A colocação do vestuário é essencial, roupas velhas e rotas das Bennet, mas que provavelmente são as melhores que tem, ao contrario de sua mãe e suas irmãs, Elizabeth esta vestida do seu modo natural, deixando bem claro a sua diferença em relação à família. A posição dos personagens também é essencial, Elizabeth sozinha em um sofá, afastada do resto da família e o Sr. Darcy e o Sr. e a Srta. Bingley no fundo da sala, desconfortáveis com a chegada das visitantes, o diálogo que se segue, apesar de parecer banal define os personagens perfeitamente bem.Outro destaque para o figurino é a evolução das roupas do senhor Darcy, conforme ele se aproxima, emocionalmente de Elizabeth, suas roupas ficam menos apertadas e de cores mais claras.

Muitas críticas afirmam que o filme tira a ironia e a criticidade do livro, sobressaindo a historia de amor, se tornando mais um “filme de mulherzinha”, mas é perfeitamente visível a inadequação de Elizabeth para com a sua família, seu olhar de desprezo a certos costumes da alta classe, principalmente na falta de cortesia mútua entre ela e a Srta. Bingley e entre ela e a lady Catherine.

A direção de fotografia é excelente, a paleta de cores do filme é tranqüilizante, lhe transporta para aquele ambiente campestre da antiga e conservadora Inglaterra, com muitos planos gerais a natureza local é valorizada, os planos detalhes na mão do Sr Darcy, mostram suas mudanças ao longo da trama sem precisar de palavras. A luz do filme é bem natural, na maioria das vezes amarelada lembrando a luz do sol e muitas janelas justificando sua presença, enfim não cabe na maior parte do filme pergunta “de onde vem essa luz?”. A única iluminação um pouco irreal é no momento em que Lizzie está atravessando, junto a seus tios e uma criada um salão de ates na mansão do senhor Darcy, a iluminação é, para mim, branca demais para a época, apesar de as obras de arte serem brancas e as paredes também. Mas esta parte em especial, o direto justifica dizendo que queria criar um ambiente mágico, quase um sonho, e não é só a luz que é clara, as roupas dos personagens da cena também seguem a tonalidade.Outro excelente trabalho com a luz é no tratamento da Lady Catherine, toda cena em que ela aparece é escura, como se ela carregasse uma aura de maldade.
A cena da declaração/confissão chuva e a cena em que o Sr Darcy vem andando pelo campo ao encontro da amada são as mais emblemáticas do filme e não estão no livro, crédito para a roteirista iniciante Deborah Moggach.A opinião geral do público feminino só encontra um defeito no filme: Cadê o beijo?!!!!

domingo, 18 de abril de 2010

"Adeus, mr. Chips" por Camilla Vanessa Sampaio Bondan


O filme conta a história de Mr. Chips, um professor sério e sem uma relação afetuosa com os seus alunos da Brookfield, uma escola tradicional inglesa. Tudo muda quando ele conhece uma jovem atriz de musicais ,Katherine, com a qual se casa. Apesar da lamentável, mas fundamental saída de Katherine da trama, seus ensinamentos acabam transformando-o numa das figuras mais marcantes na história da escola e de seus alunos. Uma obra que eleva a nacionalidade britânica através da valorização das tradições (escola, família).

A passagem de tempo no filme é muito bem feita através de acontecimentos como a própria primeira guerra e a entrada dos alunos de outra geração, filhos de ex alunos do Mr. Chips.A excelente atuação de Robert Donat lhe rendeu um Oscar, ele conseguiu expressar perfeitamente as duas fases antagônicas do professor (antes de Katherine, e depois dela).

Apesar da primeira guerra mundial, Mr. Chips decide continuar com as aulas da mesma maneira que ocorriam antes o que de certa forma conforta seus alunos e eleva o valor dessa instituição britânica. Esse filme faz parte de um grupo de filmes feitos nesta época com a intenção de fazer a população britânica valorizar mais seus costumes e "Adeus, Mr. Chips" passa essa mensagem de uma forma leve e descontraída na figura deste querido professor.