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domingo, 4 de julho de 2010

“Você não vale nada, mas eu gosto de você”, por Ruana Pedrosa


“Você não vale nada, mas eu gosto de você”. Enxerguei esta frase nas entrelinhas de uma cena de Orgulho e Preconceito. O filme adaptado da obra homônima de Jane Austen é o típico romance que faz as mocinhas suspirarem, mas sua história também aprecia problemas enfrentados pela sociedade.

Como criar cinco filhas, na Inglaterra Georgiana com pouco dinheiro sem pensar em empurrá-las para o casamento? A Sr. Bennet (Brenda Blethyn) é a pura demonstração deste reflexo que no filme torna-se extremamente engraçado. Com a chegada de um rapaz solteiro e rico ao condado, cabe a ela tentar com todas as forças casar Jane (Rosamund Pike), sua filha mais bela. Porém no primeiro baile do filme percebe-se logo que o mundo de Orgulho e Preconceito não gira em torno da bela Jane ou do pretendente ruivíssimo Mr. Bingley (Simon Woods). O casal por quem o público feminino suspira é formado pela “tolerável” Elizabeth Bennet (Keira Knightley) e o lindíssimo Mr. Darcy (Mattthew Macfadyen).

Todo um romance se desenrola entre o primeiro casal, enquanto os protagonistas trocam “gentilezas” (para não dizer patadas), durante quase toda a película.Depois de alguns mal-entendidos, Elizabeth passa a odiar Mr. Darcy, jurando nunca dançar, quanto mais se envolver com o rapaz.

Darcy começa a lutar contra seus preconceitos e os da sociedade que os rodeiam, para poder viver uma história de amor com Lizzie. Aí encontro a cena que descrevo no primeiro parágrafo. Numa tarde de chuva o casal se encontra e ele resolve se declarar. Mas ao dizer que estar negando os seus princípios e esquecendo a origem pobre da moça, Darcy joga suas últimas esperanças fora. Seria a mesma coisa de fazer uma serenata com o hit do forró Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto de Você, nos dias de hoje.

Com uma fotografia patriótica com a Inglaterra, mostrando planos belíssimos. Figurinos de época que mesclam entre a simplicidade da família Bennet e o luxo da Srta. Bingley (Kelly Reilly) e de Lady Catherine, numa célebre participação de Jude Dench. A história de Jane Austen é realizada de forma encantadora pelo diretor Joe Wright. Claro que, pessoas anti-romanticas dormiriam durante sua exibição, pois o filme é longo e as grandes emoções demoram a acontecer.

Mas a grande história deste filme são os dilemas da convivência em sociedade. Classe social, idade, honra, valores que podem mudar a existência de uma pessoa. Ao entender as verdades de uma pessoa passa-se a se colocar em seu lugar e aceitar sua companhia. Depois de muitas brigas, regadas pelo orgulho dos dois personagens, Elizabeth e Mr. Darcy encontram seu final feliz.

Mas quem realmente se saiu feliz nesta história foi a Sr. Bennet. Ao empurrar Jane para o matrimônio levou junto mais duas filhas.

sábado, 3 de julho de 2010

"Minha Adorável Lavanderia", por Ruana Pedrosa


Ano passado tive o privilégio de conhecer O Medo Devora a Alma do diretor alemão Fassbinder. Um filme que descreve preconceitos enfrentados por um imigrante na Europa e com seu relacionamento com uma mulher mais velha. Lembrei desse filme quando parei para assistir Minha Adorável Lavanderia de Stephen Frears.

O título parece ridículo, o barulho de bolha de sabão estourando, no início e fim da película é cômico, mas o resultado é muito bom.

Omar (Gordon Warnecke), rapaz de origem paquistanesa, convive com o preconceito dos dois lados da sociedade. Os ingleses não o respeitam por ele ser imigrante, e sua família por ele ser “quase” inglês. O ambicioso rapaz encontra na lavanderia falida do tio a chance de crescer financeiramente no mundo britânico. Nela também seu amigo de infância Johnny (Daniel Day- Lewis) busca mudar a vida. O inglês é um ex punk fascista, que começa a sofrer preconceitos por parte dos seus antigos amigos que não aceitam sua amizade com Omar. E para complicar ainda mais as relações em sociedade, os rapazes se envolvem amorosamente.

Porém este não é o ponto chave do filme, pois em nenhum momento os outros personagens descobrem a paixão dos protagonistas. É realmente a ambição de Omar e a xenofobia dos dois povos que chama atenção.

Como roteiro inteligente, que chegou a ser indicado ao Oscar no ano de 1986, de Hanif Kureishi, expõe o determinismo em todos os grupos do filme. Em certa cena, por exemplo, um punk fala que os imigrantes vieram para trabalhar para os ingleses e que não poderiam fugir desta realidade.

O filme que vive os anos 80 de maneira completa. Na forma como é filmado, nos figurinos, na trilha musical, nos penteados e no modo de viver, sendo outra obra que relata o problema de minorias.

Destacando a interpretação do casal protagonista. Johnny é o típico marginal apaixonante, chegando a roubar a atenção de Tânia (Rita Wolf), prima de Omar.

Minha Adorável Lavanderia é a maior prova contra o próprio determinismo imposto no início do filme. Omar, bom moço, torna-se ganancioso, não se importando com a as pessoas ao seu redor. Johnny, bagunceiro, com um passado negro, chega a extremos para defender e viver seu amor. Assim a película consolida que não existem pessoas boas ou más, existem pessoas.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Pink Floyd - The Wall', por Juliana Ribeiro e Ruana Pedrosa


Como se editava filmes em 1982? Esta dúvida começou a pairar sobre nossas cabeças ao assistir o filme de Alan Parker. O musical estrelado pelas músicas do álbum The Wall da banda Pink Floyd, retrata o sentimento de uma época que combatia as normas da sociedade. O filme, com mesclas de animação bem empregadas, narra não linearmente a trajetória de vida de um rapaz, Pink Floyd. Por causa da guerra perde seu pai ainda criança, e desde então tem dificuldades para se ajustar a superproteção da mãe, o que se reflete em todos seus relacionamentos posteriores. Na escola era perseguido pelo professor, refletindo no filme a visão contra o tipo de educação da época, fechada e manipuladora. Ao crescer ele se torna uma estrela do rock, mas todos os seus problemas da infância passam a refletir em sua vida pessoal e profissional.

Tenta cometer suicídio, mutila-se, deteriora-se por dentro e subjetivamente por fora. A montagem não linear e a musicalidade das ações são definitivamente os pontos mais interessantes do filme. Quase todas as cenas são intercaladas com imagens de diversas fases da vida de Pink, como por exemplos analogias diretas à doença na infância e na fase adulta. Uma edição tão bem trabalhada, que é digna de ser questionada em relação à tecnologia da época, pois muitos filmes recentes nem se comparam em competência.

O inteligente roteiro de Roger Walters, que era o vocalista e baixista da banda na época, é bem adaptado para o cinema, apesar do próprio Walter não ter gostado do resultado final. O filme ganha proporções acima do esperado tanto em público como em crítica, tornando-se quase um hino da juventude dos anos 80